terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Sobre conforto e preconceito.

Então lá fomos eu e meu marido em um shopping - não pra passear, precisávamos - em plena terça-feira de Carnaval, durante uma de minhas crises de dor.
Quando eu estou mal, obviamente, gosto de estar o mais confortável possível. Ainda mais para enfrentar um shopping lotado durante o Carnaval com este calor vindo das profundezas dos infernos.

Fui super confortável com meu par de tênis de ir aos parques de Orlando que desenterrei aqui - você precisa ter os tênis mais confortáveis do mundo se vai acordar às 6h e ir dormir depois da meia-noite, andando sem parar no calor da Flórida, acredite em mim -, minha t-shirt 100% algodão infantil - roupas infantis são muito amor - de New Orleans (um dos lugares que mais quero visitar), e meus jeans rasgados companheiros de guerra shows de rock. Ah, e fui com meus óculos, e não com lentes de contatos pois, com dor, às vezes é impossível colocá-las.

Nada fashion, mas extremamente confortável.

Eis que, depois de fazermos o que precisávamos, vi a loja da Lindt e resolvi entrar e perguntar sobre a trufa dos sonhos, *imaginem um coro de anjos celestiais aqui* uma trufa perfeita que comprei na Flórida durante a última viagem e nunca mais a achei. Como era especial para o Valentine's Day, fui tentar a sorte.

Antes de perguntar para algum funcionário, fui dar uma olhada em todas que tinha, ansiosa para encontrar minha trufa encantada. *coro celestial*

Porém, uma vendedora aparentemente achou que eu iria enfiar tudo o que conseguisse nos bolsos, ou sacar uma arma da minha bolsa de franjas lindas - mas teria que pedir pra ela segurar meu copo gigante de chá gelado antes.

Resolvi perguntar a ela mesmo e, no começo da conversa, ela nem me levou a sério, como se a ideia de que eu tivesse viajado ou sequer conhecesse a trufa fosse inconcebível. Quando ela percebeu que eu sabia exatamente o que eu queria, seu comportamento mudou, até tentou me vender coisas e dizer "esta aqui é uma delícia". Eu simplesmente respondi "é mesmo, eu sei", da maneira mais educada possível, pois mamãe e papai me ensinaram assim

Eu agradeci a atenção, me despedi, e fui embora - não, eles não tinham a trufa abençoada. *coro celestial*

Poderia citar cada marca que estava vestindo dos pés à cabeça, ou até mesmo que provavelmente estava usando alguns milhares de reais. Porém, é esta a questão, não sou melhor que ninguém por isso. E que jeans, tênis e camiseta não é o fim-do-mundo, ainda mais em uma situação despojada em pleno Carnaval. Mas eu poderia estar usando roupas compradas na feira em uma sexta-feira à noite, não deveria importar.

Durante o fim-de-semana eu fui na Pandora compras algumas coisas vestida praticamente igual e fui extremamente bem atendida. *só estou citando as lojas pra vocês terem uma ideia*

Cansei de sentir na pele ou presenciar funcionários de lojas julgando as pessoas. E não apenas pelas roupas, mas pelo peso, etc.

E eu simplesmente não entendo como os donos das lojas, donos de franquias, gerentes, etc., permitem ou quem sabe até incentivam este comportamento. Vocês não percebem que espantam potenciais fregueses e perdem os antigos? E quem ganha comissão não percebe que ser bem educado é essencial?

Aliás, as pessoas não percebem que boa educação é essencial na vida em sociedade, em qualquer situação?

E sou do tipo que deixa de ir no lugar, sem pensar duas vezes.

Minha ideia era colocar aqui vários exemplos de preconceito que presenciei e/ou sofri, de lojas e marcas que parei de consumir pelo tratamento, etc. Todavia, deixarei apenas estes questionamentos, e espero de coração que alguém reflita.

Ah, e vocês lembram da cena do filme Pretty Woman (1990)?


Créditos da imagem: cena do filme Pretty Woman (1990), imagem de Lindsey L. Turner

:)

2 comentários:

Lucie disse...

Já passei por situação parecida no próprio Dom Pedro, numa loja de roupas que fechou poucos meses depois. Por que será ne?

Márcia Moreira disse...

Infelizmente isso ainda é comum, vivi uma situação contrária, porém semelhante, aqui, onde moro e uma cidade pequena, daquelas que todo mundo sabe da vida de todo mundo, já eu vim da cidade vizinha, relativamente "grande", e só agora após 2 anos morando aqui que uma colega de trabalho disse que muitas das mulheres que trabalham conosco, me acharam chata, e arrogante, apenas porque eu, recém chegada na cidade, não quis fazer alarde e preferi ficar na minha. Ou seja esse preconceito existe, em todas as formas, pois tudo que é diferente causa estranheza porém não devia ser assim.
bjs e desculpa o testamento, rsrs.

Márcia Moreira
http://marciaaocubo.blogspot.com/