sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Sons de LAR

Eu sou uma pessoa solitária. Não sozinha, mas que gosta de ficar só. Os meus hobbies favoritos são atividades individuais - escrever, ler -, e eu gosto de minha própria companhia.

As pessoas que me amam às vezes ficam preocupadas por eu estar nesta fase de estudar em casa, ser concursista, dona-de-casa e, ainda por cima, ter mudado de cidade e não ter amigos por aqui (tenho minha cunhada, mas este ano está sendo tão corrido pra ela que só conseguimos marcar algo em raros finais de semana). Meu marido se preocupa muito, eu noto mesmo quando ele não diz nada.

Porém, se eu tiver livros, chás, cadernos e canetas para escrever, talvez eu consiga ficar anos fisicamente isolada do mundo (já me imaginando na biblioteca do castelo da Fera - Bela, sua sortuda!). Sempre fui assim, desde que possa me lembrar, brincando de inventar histórias a portas fechadas.

Não que eu não goste de ficar perto das pessoas que amo, ou que não sinta saudades. Eu sempre estou com saudades.

Mas eu me ocupo o dia todo com mil coisas diferentes como qualquer pessoa - e estou sempre conversando com alguém online. 

E eu sou família. Muito. Eu não me isolo ou fico sozinha mesmo longe, acreditem nisso.

Hoje eu liguei um mp3 com alto-falante que meu pai nos deu para ouvir música enquanto tomava banho. E, embora tenha várias entradas, como USB, há músicas dele e eu prefiro deixar assim - quando cozinho, lavo roupa, etc. - na maior parte do tempo.

Se eu não me engano, foram eu e meu marido que fizemos esta coletânea para ele mesmo.

Quando começou a tocar a primeira música, do Led Zeppelin, eu me senti em casaLed Zeppelin lembra minha família, meu marido e claro, faz parte de meu próprio gosto musical.

Mas me lembrou de churrascos de fim-de-semana no quintal de casa, em que eu brincava com as cachorras enquanto meu pai preparava uma picanha do meu gosto fresco e exigente, de uma maneira que só ele consegue.

Lembrou-me a chácara de meus avós, a música tocando no carro durante as viagens para a praia, meu irmão ouvindo esta mesma música enquanto tomava banho pra sair de sexta à noite, e eu conseguia ouvir da sala enquanto via documentários policiais com minha mãe.

Eu me lembrei dos churrascos na casa do meu tio, enquanto os "homens" viam clipes e eu ficava sempre junto enquanto a mulherada estava na sala ou na cozinha... e o jeito gostoso e carinhoso como minhas primas me chamam de "Pa".

Recordei de fazer compras com meu pai de mãos dadas (faço isso até hoje), e de me distrair com as conversas entre ele e meu marido (já disse que conheci meu marido pelo meu pai?!).

Lembrou-me de minha mãe adivinhando exatamente o que eu estava com mais vontade de comer - se eu pudesse escolher qualquer coisa no mundo! - e bater na porta trancada do meu quarto enquanto eu estudava com um prato quentinho.

E de sentar na bancada do armário da cozinha, com os pés na cadeira, tendo mil e uma conversas com minha mãe enquanto ela fazia o almoço do meu pai, todos os dias da semana.

E, de repente, ouvindo Led Zeppelin enquanto a água cai, eu estou em casa. E me sinto feliz e amada.

:)

2 comentários:

Anônimo disse...

Que post maravilhoso... nada como a música para nos trazer tantas sensações!
Um bom final de semana Patty!
Um super beijo!

Hanna

Garota no hall disse...

Que texto lindo, Patty. Eu consegui ver as imagens que descreveu. Beijo!