quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Minha opinião sobre The Following

Embora eu seja muito fã de Edgar Allan Poe, e ele foi um dos elementos centrais de meus estudos quando fiz minha primeira monografia, e eu dissesse durante a minha adolescência que me casaria com alguém que soubesse recitar O Corvo divinamente, e sinta instintos assassinos aflorarem quando uma de minhas melhores amigas diz que não acha muita graça nele, eu gostei muito da primeira temporada de The Following.


Calma aí, Patrícia, você ama Poe e gostou, por que o "embora"?

Pra quem não percebeu ou não tem contato, muitos fãs, professores de línguas e literatura e estudiosos de Poe não gostaram da série. Muitos queimariam os DVDs em praça pública, aposto.


Porém, estou mais tranquila quanto a todos os milhares de problemas que eles elencam insistentemente. Eu entendo vocês, eu compartilho um pouco com sua dor, mas... Pra mim, The Following é baseado em Poe pra leigos, o Poe básico, o Poe povão e popular. Posso estar aqui cometendo um enorme erro, talvez a série tenha contratado especialistas e estudiosos em Poe, ou o próprio roteirista seja alguém da área, e o motivo de revolta seja este. Eu realmente não sei. Se for - avisem-me, se quiserem! -, compartilharei um pouquinho mais com a revolta, todavia continuarei um pouco zen.

Pois não estou levando muito a sério, não assisto pensando como uma licenciada em Letras do mesmo jeito que não levo tão a sério toda a parte criminal como uma bacharel de Direito e especialista em Investigação Criminal. Ok, um pouco. É impossível se desligar, e mais adiante neste mesmo post vocês verão um pouco disso. O que quero dizer é que tento encarar como diversão, entretenimento, inclusive curtindo qualquer parte trash que apareça.

É claro que muitas ligações que eles querem fazer entre os crimes e a obra do Poe são completas e irrefutáveis viagens. Pegaram o que consideram "mórbido" e "chocante" que todo mundo conhece, clichezão mesmo, e fizeram associações bizarras. Por isso, Poe povão.

Blasfêmia contra o Poe? Talvez um pouquinho, mas lembrem-se que é a visão que o personagem tem do Poe. E que mostrar o clichê dos clichês seja uma forma de atingir a massa, os telespectadores - "é verdade, tem um conto dele em que acontece isso!" - e ganhar audiência. Reflitam. Ou não.

Eu, por enquanto, tento não levar muito a sério. *talvez minha revolta chegue mais tarde, veremos.*

Adoro o fato do grande vilão ser extremamente inteligente E ter vários defeitos e problemas, que descobrimos ao longo dos episódios. Embora muitas coisas que dão a entender que são erros no início sempre acabem se mostrando como parte de seu evil genius master plan, ele tem defeitos, é óbvio.

Bom, talvez não tão "óbvio" assim, já que muitas pessoas, ao pensarem em psicopatas (não estou dizendo que ele seja, pelo-amor-de-dr.Robert-D.-Hare-C.M.), serial killers e super vilões, pensam imediatamente em dr.Hannibal Lecter, o culto, o fino, o mais-elegante-que-Ronnie-Von, o professor com Q.I. de gênio perfeitinho.

Caso vocês não saibam, mais de um grande estudioso - admirável salve-salve! - da área, daqueles em que você diz "amém" e fica de queixo caído com seus ensinamentos, agradecendo aos céus por existirem pessoas tão iluminadas trabalhando nesse campo (não que eles também sejam perfeitos, atenção!) já disse que o nosso querido doutor-canibal nunca existiria na vida real, que alguns conceitos, alguns traços de sua personalidade e comportamentos são completamente conflitantes e paradoxais. Não haveria uma pessoa com traços x e y, que ele possui, ao mesmo tempo, é humanamente impossível. *prevejo fangirls mórbidas chorando neste instante*

Por mais que seja conhecido que psicopatas, serial killers e criminosos possam possuir um nível de genialidade admirável que, até hoje, mal sabemos lidar e compreender, não significa que haja perfeição em seus atos. Aliás, não quero me estender muito, mas longe disso.

Uma das coisas que eu A-DO-RO em nosso querido vilão com sotaque fofo de The Following, é o fato de ser um professor de literatura que se acha. *lembrem-se que fiz Letras* Mais do que isso, alguém que se acha superior intelectualmente, alguém que se julga especialista supremo em que estuda, alguém que acredita que compreende nuances de seu autor e/ou estilo literário favorito que ninguém mais enxerga. E ainda, só ele compreende e pode dar continuidade ao trabalho inacabado - quando realmente podemos considerar que um grande escritor teve sua obra acabada? -, pois eles se entendem, estão em sintonia, estão conectados.

Quem é da área - observação: que eu amo e admiro, não me levem a mal pelo-amor-de-Edgar-Allan-Poe! - com certeza já conheceu alguém que acredite do fundo do coração que compreende algum livro/autor/conto melhor que nós, pobres mortais.

E isso de ser um aspirante a escritor que tenta imitar o estilo de seu autor favorito! Isso é incrível! Tenta imitar a escrita e tenta terminar a obra inacabada de seu ídolo! Chega a ser lindo, e me deliciei não-tão-secretamente cada vez que algum outro personagem faz pouco dele por isso.

Acredito que foi na noite de estreia da série no Brasil que passou um behind the scenes em que os produtores da série disseram que possuem um ou mais consultor do próprio FBI com o único objetivo de torná-la a mais realista possível, incluindo todos os defeitos que são possíveis em qualquer investigação criminal.

Muitos amigos, quando eu contei, ficaram revoltados, dizendo "impossível! o FBI não é tão burro assim!", "eles são muito lerdos!", etc.

Algo que foi objeto de estudo em minhas duas monografias foi o atraso que o Brasil possui em relação aos EUA, por exemplo, desde recursos quanto conhecimento - especialmente em estudo e pesquisa -, embora nossa perícia seja boa, excelente em alguns lugares, e tenhamos profissionais fantásticos, abrangendo todo o leque da perícia, da polícia, etc. Sou realmente fã - quase uma tiete - de alguns profissionais ultra competentes do país.

Todavia, é inegável que temos esse atraso, de décadas inclusive. No entanto, não podemos afirmar que seja maravilhoso, perfeito, uma mistura de C.S.I. com Criminal Minds sem erros, pelo-amor-do-Dr.-Spencer-Reid!

E o FBI não é uma entidade suprema nem ícone de perfeição.

Acho que as pessoas se acostumaram com filmes, séries e livros com policiais e assassinos super inteligentes e, principalmente, com o ritmo ágil da polícia e da perícia. Pois precisam ser ágeis para a narrativa fluir. E você, como telespectador ou leitor, dependendo do estilo da narrativa, descobre tudo antes dos personagens, é levado intencionalmente a isso. E fica feliz - quem nunca? - gritando no sofá "que burro, como não percebeu antes?!"

Mas a vida real não é assim e, do mesmo jeito que preciso me conformar que não posso viver dentro de Walt Disney World para sempre, precisamos encarar isso.

E eu nem encontrei tantos erros "burros" assim e, os que encontrava, achava úteis e necessários para onde o roteirista, diretor, produtor queriam nos levar.

Anyway, escrever e produzir algo sobre um serial killer e uma seita que o segue deve ser uma das coisas mais complexas e difíceis que consigo imaginar. Colocar alguém como Edgar Allan Poe no meio então...

Eu gosto da atuação deles, dos personagens - um que eu adorava demais morre, fiquei louca! -, da produção, do tema, etc., é uma série com altos e baixos, e sem muita coisa surpreendente. Todavia, é difícil uma primeira temporada ser. Deu a impressão em alguns momentos que eles ainda estavam tentando encontrar seu ritmo, sua história.

Mas eu gostei, comprarei ela certamente.

É possível que, quanto mais eu pense sobre isso eu perceba mais e mais defeitos, entenda o que todo mundo está falando e passe a odiá-la? Sim. Mas também é possível que, cada vez que eu a reveja, descubra mais motivos para gostar!

Que Poe não puxe meu pé à noite - ou puxe! puxe! - mas aguardarei ansiosa pela segunda temporada!

:)

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