domingo, 11 de agosto de 2013

Stronger than yesterday. Sobre a vida, o universo, e tudo mais.



Embora o motivo do post seja a bendita nevralgia do trigêmeo, ele é positivo. Ou o mais positivo que poderia ser.
E, embora tenha o título acima, eu não me sinto mais forte. Ao menos não fisicamente. Eu me sinto mais fraca, mais debilitada, mais cansada. Eu tenho tido semanas, meses, horríveis em relação à dor - peraí, não era pra ser positivo?! -, e vários aspectos de minha vida estão uma bagunça. E, pra ser bem sincera, na maioria dos dias eu só quero ficar na cama, sozinha, sem fazer nada.
O que muitas pessoas não entendem quando você sente muita dor por muito tempo, especialmente a causa sendo algo que, por enquanto, não tem cura, elas podem citar 27384625 coisas positivas que estão acontecendo em sua vida, mas a dor ainda ganhará de todas elas. Não é falta de esforço ou de pensamento positivo, é algo físico. Algo físico que, obviamente, ataca o emocional.



Todavia, às vezes você se lembra das coisas boas. Não algo em si, ou um momento, ou palavras sábias de alguém. Nenhum insight ou coisa do gênero. Infelizmente não direi nada inspirador que tive em um episódio de dor extrema ou quando esta deu uma rara folga. Mas há conjuntos de momentos, aglomerados de pequenos minutos, ou segundos e, se tiver sorte, horas em que você se torna realmente grata por algo.
Ninguém nunca disse para mim "como você ainda consegue?", talvez por eu não ser tão sincera com as pessoas que conheço sobre o quê exatamente eu sinto e passo todo dia. Mas, se alguém perguntasse, talvez a resposta seria esses "aglomerados de momentos".
Não que eu veja que tudo vale a pena, que é preciso lutar, nem qualquer outro tipo de frase motivacional linda de filmes com pessoas moribundas e ainda sim valentes e corajosas e com força de vontade.
Pois eu não me sinto valente, corajosa, nem com grande força de vontade.

Mas quando eu vejo o sorriso do meu noivo, abraço meu pai, paro e olho para a minha aliança, levo uma lambida da minha cachorra... quando eu estou com a mestra e, de repente, percebemos que estamos pensando a mesma coisa sobre o mesmo assunto...são aglomerados de momentos.

Eu não irei encarar a dor de cabeça erguida - pensando que, por mais dor que eu passe, terei momentos que valham a pena! -, é hipocrisia. É hipocrisia dizer que a dor não dói, entendem? Ou que não é tão forte quanto x ou y que eu possa sentir. Se é conhecida como a pior dor do mundo, tem um motivo.

Não irei "amar a dor", "abraçá-la como uma velha amiga" e, quem disser "no pain, no gain" aqui leva um tapão!

Muito menos farei discursinho de que isso me torna mais especial, faz com que eu aprecie mais a vida, que eu veja o mundo com outros olhos, etc. - não, nada disso acontece, lamento informar que sou como você.

Eu apenas coleciono estes momentos como qualquer outra pessoa. QUALQUER OUTRA PESSOA.

E gostaria de agradecer a todos que os proporcionam.

Como eu disse no início, mesmo 27384625 coisas positivas ainda não ganham da dor. Não ganham, talvez nunca ganhem. E me desculpem por não poder terminar com uma mensagem otimista ou alguma lição profunda que poderia ter aprendido com tudo isso. Não tenho nada. Mas, ainda assim, sou grata.



Fonte das imagens: Tumblr (se alguém souber a fonte específica, por favor, me avise!)

:)

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