terça-feira, 18 de junho de 2013

Quebrando preconceitos - Li: Os Desejos da Bela Adormecida



Os Desejos da Bela Adormecida
Anne Rice
Rocco
352 páginas
Avaliação:



Quando eu comprei a trilogia da Bela Adormecida, imaginei que fosse simplesmente um romance erótico de Anne Rice - e, depois do sucesso de 50 tons, foi veiculado exatamente desta maneira, como "a trilogia erótica" da autora.

Desde que a minha amiga Ana me emprestou os livros da Nora Roberts, decidi buscar outros tipos de livros aos quais estou acostumada..

Apesar de, felizmente, ler de tudo um pouco, sempre acabo ficando nos meus autores favoritos (façam reverência ao grande mestre Stephen King) e aos gêneros policial, suspense e terror.

Então a Ana me incentivou a abrir minha visão e, mais uma vez, quebrar uns tijolinhos do muro do preconceito literário - o maior buraco que fiz nele foi lendo toda a saga Crepúsculo e começando a ler o 50 Tons de Cinza, mas isso fica para outro post.

Anyway, voltemos para a grande Anne Rice. Sou uma pseudo-fã da autora, e digo isto com orgulho. Sou daquelas pessoas que leu apenas o Entrevista com o Vampiro, porém me apaixonei loucamente e já adquiri outros livros. Tenho amigas que adoram a escritora, e a mestra foi quem me incentivou a ler o Entrevista e, com certeza, a buscar ler cada vez mais dela.

Enfim, eu não li nada sobre esta assim nomeada como trilogia erótica antes - aqueles que me conhecem sabem que odeio ler resenhas antes de ler o livro (outra grande dica para romper o preconceito literário) -, e esperava algo como 50 tons mesmo, só que melhor escrito.

E confesso que foi uma surpresa agradável.



Começo dizendo que eu precisaria pensar um pouco antes de indicar o primeiro livro, Os Desejos da Bela Adormecida, para algumas de minhas amigas. Não é um livro erótico ou, ao menos, não é somente um livro erótico.

Observação: a minha experiência com literatura erótica é tão somente pelas aproximadamente primeiras 80 páginas de 50 Tons de Cinza e pelas fanfics que amigas minhas escrevem e me mandam - e algumas outras que elas indicaram. E sou do tipo que coro só por ler menção a sexo em qualquer livro.

A partir de agora vem o momento em que conto um pouco sobre o conteúdo do livro sem intenção nenhuma de dar spoiler (mas algum pode surgir sem querer, desculpem-me)!

Bela é uma princesa que sofreu uma maldição aos quinze anos ao tocar seu dedo no fuso de uma roca, o que imediatamente fez com que seu reino inteiro, inclusive ela, caísse em profundo sono por exatos sem anos, esperando que um príncipe corajoso a despertasse (sim, igual a história que todos vocês conhecem).

Vários príncipes tentaram, mas nunca conseguiram atravessar o labirinto de gigantes espinhos de roseiras que os enlaçam até a morte (vejam A Bela Adormecida da Disney).

Até que um corajoso príncipe de dezoito anos, do reino maior e mais poderoso da região, se aventura e consegue facilmente atravessar e adentrar os muros do castelo - e sim, fica super orgulhoso com seu grande feito.

Quando alcança os aposentos da princesa, admira sua graça e beleza, arrancando todas as peças de sua roupa com a espada. Sim, ele não a desperta somente com um beijo, mas com sua primeira relação sexual.

Assim que todo o reino desperta, ele deixa claro que não quer que ninguém os incomode durante a noite - nem os pais da moça - e que agora Bela é de sua propriedade, uma vez que ele salvou o reino inteiro. Diz a ela que, por mais mimada que fosse, uma nova vida começara para ela, e seu único objetivo agora deveria ser de fazê-lo feliz. E começa com as primeiras lições de dominação e submissão, em como ela deve agir em sua companhia, etc.

Observação "quebrando preconceitos": lembrem-se do contexto histórico da narrativa, o que para mim torna até as coisas mais extravagantes e bizarras do livro completamente plausíveis. Portanto, não há nada de absurdo em os reis entregá-la como sua posse. Ela é sua princesa, e, independente do que se seguirá, esqueçam um pouco o romance e se atentem à época.

Eles fazem uma viagem, ele a exibe - nua, como um prêmio - por onde passam, a leciona sobre dominação, submissão, servidão, salientando que tudo irá mudar ainda mais quando ela chegar ao reino dele.

E é lá que ela descobre que este tão poderoso reino mantém escravos sexuais. Os reinos vizinhos oferecem como tributo seus príncipes e princesas como escravos sexuais para a corte e a família real, tanto como oferta de paz como demonstração de apoio. Normalmente estes tributos permanecem por cerca de cinco anos - dos quinze, dezesseis até os vinte e um, aproximadamente - totalmente escravizados e submissos a qualquer tipo de tortura (física, social, psicológica, moral), quando então são devolvidos aos seus reinos, recompensados e bem-vestidos. *lembrem-se do contexto histórico que a autora apresenta*

Os escravos não só devem atender a vontade da corte, como são ensinados que todas as pessoas do castelo são seus senhores e senhoras, sejam nobres ou trabalhadores da cozinha.

Alguns gostam, alguns se apaixonam por seus senhores, alguns senhores se apaixonam pelos escravos - o que é terrivelmente mal visto -, alguns escravos ficam mais anos ou nunca vão embora.

Há muitas cenas de humilhação e degradação, há momentos em que Bela perde totalmente a identidade e passa a se considerar um mero objeto mesmo, ou menos que isso, e é angustiante ler os momentos de desespero em que ela se vê como um animal, não sabendo nem a quê implorar.

Entretanto, Bela é uma submissa nata, digamos assim. Desde o seu despertar sexual, ela anseia por agradar, obedecer, e sente prazer com isso, especialmente quando está com o príncipe. Ela acredita amá-lo - embora ela sinta desejos por outros - e ele próprio é completamente enamorado por ela.

Esta é a diferença. Quando os tributos chegam, precisam ser ensinados - de forma extrema e violenta, é claro - a estarem sempre prontos para satisfazer, para agradar a quem eles pertencem. E ela nunca precisou, pois sempre quis.

Mas não é por este motivo que as coisas são fáceis pra ela, como disse logo antes.

E é isso que ela - e nós, leitores - vai descobrindo durante todo o primeiro livro.

:)

Um comentário:

Anônimo disse...

Olá, boa resenha!

Acho que o mais intrigante da história é analisarmos como a trama consegue afetar o leitor de modo a produzir uma efusão de sentimentos ambíguos e perturbadores. As cenas de selvageria sexual, regadas de sadismo e masoquismo, causam ao mesmo tempo nojo, horror, repudia e incrivelmente, excitação. Esse último, por sua vez, pode vir acompanhado de culpa, uma vez que parece insano sentir-se libidinalmente afetado por tais horrores. Ane Rice é uma mestra. Esse livro não é recomendado para pessoas sensíveis ou impressionáveis.