quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Quebrando preconceitos: Sister Wives

Tem um momento em que eu adoro estar errada: quando percebo que julguei errado, mal, ou simplesmente JULGUEI algo. Meu lado autocrítico e controlador sempre irá me maltratar um pouco por ter feito isso, mas o que me deixa feliz é APRENDER, aprender a lição.

Está em nossa natureza julgarmos tudo o que é diferente, está em nossa cultura, ou é uma questão de aprendermos a não fazer mais isso?

Vou deixar para filosofar sozinha em minhas noites de insônia, ou nunca chegarei ao ponto.




Uma das coisas que mais julgava era o programa Sister Wives (ou Quatro Mulheres e Um Marido, se não me engano).

O programa mostra o dia-a-dia de um americano polígamo, com três esposas – que mais tarde viram quatro – e muitos filhos.

QUANDO EU JULGUE MAL: A frase que o marido diz logo na abertura “O amor deve ser multiplicado e não dividido” já me deixou inquieta na cadeira. Porém o que causou meu maior julgamento foi, no primeiro episódio ao qual assisti – talvez fosse o primeiro do reality show -, quando cada um explicava sobre como é a vida poligâmica (sua versão de poligamia, de acordo com sua fé), e considerei as falas dos cinco incrivelmente machistas. Especialmente a fala do marido, é claro, que dizia coisas como “Deus não aceitaria uma mulher com mais de um homem” (mas que homens com várias mulheres tudo bem).

Eu fiquei muito tempo revoltada com este programa, e mudava de canal toda vez que começava.

QUANDO MEU PRECONCEITO FOI QUEBRADO: Até que, em uma de minhas crises de NT, em que eu mal tenho consigo sair da cama – muito menor ter ânimo de mudar de canal -, assisti a cerca de uns quatro ou cinco episódios, em uma espécie de maratona.

E o que é óbvio pra mim HOJE veio à tona: a vida é deles. Mas, principalmente, a fé é deles.

Estas cinco pessoas estão em comum acordo, vivendo suas vidas sem se machucarem e sem machucarem ninguém. Estão seguindo sua fé, o que eles acreditam ser correto.

Importante: eles não obrigam seus filhos a seguirem a mesma fé. Como a maioria das famílias, os filhos vão à igreja com eles, mas eles deixam claro que, quando tiverem idade suficiente, podem seguir outra fé – ou nenhuma. Também não são escancarados para não expor principalmente os filhos (contam para quem quiserem, ou não contam pra ninguém).

O QUE CONSIDERO MAIS IMPORTANTE NO PROGRAMA: Não sei a partir de qual temporada, mas há um momento em que a vida poligâmica deles vem à tona, e a Promotoria do estado em que residem passa a investigá-los. Ao mesmo tempo, há o preconceito de vizinhos, até então amigos, colegas de trabalho, etc. E a vida de todos, especialmente das crianças, vira de pernas pro ar.

Você pode dizer “foram eles que decidiram viver assim, agora aguentem”, ou “quem fez as crianças passarem por isso foram eles”, mas pare um minuto e mude de perspectiva – eram pessoas comuns que têm uma fé, têm uma crença e seguem o que ela prega, não estão fazendo mal pra você ou para mim, e estão sendo massacrados por isso.

Pessoas que trabalham, que têm filhos, que levam seus filhos à escola e à igreja todo domingo, que acreditam que o que fazem é o certo, o correto de acordo com suas crenças. E estão sendo julgadas por acreditarem em algo que a maioria não acredita.

O que a MINHA cultura e fé considera machista, o que EU considero machista por tudo o que eu aprendi racionalmente ou com exemplos e lições sociais, culturais e familiares, eles têm como modo de vida, e é um CONSENSO entre todos. Como posso julgá-los?

:)

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