terça-feira, 24 de julho de 2012

Trauma

Sempre achei que as pessoas enfrentam as mesmas coisas de maneira totalmente diferente. Já disse isso uma vez a respeito de dor (que a pior dor que você já sentiu na vida, não importa se foi uma simples topada no dedinho, pra VOCÊ é a pior dor do mundo) e outros assuntos. 

E eu sempre me surpreendo como determinadas coisas mexem conosco e nos fazem rever todas as nossas decisões, por mais insignificantes que elas possam ser – ou parecer para os outros. 

Acredito que todos nós, seja na escola ou graduação, temos uma matéria que não gostamos, ou que temos dificuldade de entender. 



No último semestre eu passei por um enorme trauma – enquanto para algumas pessoas possa parecer piada! – quando tirei as duas notas mais baixas da minha vida (sim, incluindo qualquer série de escola, graduação, pós, e tudo o que você puder imaginar), e exatamente da mesma matéria. 

Ou seja, de repente eu tinha duas avaliações para uma média, ambas com nota vermelha. Isso pra uma pessoa que não se considera uma verdadeira nerd em relação aos estudos (às vezes procrastino, e nunca me sinto dedicada o suficiente), mas que ao mesmo tempo nunca passou por uma verdadeira reprovação, D.P., etc. 

Isso mexeu tanto comigo que de alguma forma bizarra, ao invés de eu fazer os cinco fichamentos da disciplina eu acabei entregando entre oito a dez (até perdi as contas!). Fiz duas vezes a mesma coisa, fiz de texto que não era pra fazer, meu cérebro entrou em curto e eu realmente tive uma crise existencial (a terceira da minha vida, sendo que todas tiveram a ver com estudos/profissão). 

Eu já passei por uma faculdade de Jornalismo, terminei a graduação em Letras, e ambas foram paixões (embora Jornalismo tenha sido uma simples “paixão de verão”), e eu finalmente encontrei meu verdadeiro amor em Direito. Ainda sou loucamente apaixonada por Letras (principalmente em tudo relacionado à Literatura), mas esse é meu amor. 

E eu encontrei meu monstro, e de repente tinha um dragão para matar: Direito Tributário





Sempre que eu passo por algo que eu não consigo evitar, que é muito difícil pra mim, me torno um pouco masoquista, e uma frase sempre me vem à cabeça (SEMPRE): 

“And as for you, my brother, back to the prison you will go, and into the mask you hate. Wear it 'til you love it! And die in it”. ~Louis, The Man in the Iron Mask, 1998. 

O Homem da Máscara de Ferro, por mais ridículo que possa parecer. E eu sei que estou tirando o significado da frase de contexto. Mas esse “wear it until you love it”, estude até amar a matéria, aguente isso até conseguir dominar é a minha interpretação. 

E talvez seja por isso que eu sempre acabava indo melhor em matérias que não gostava, como exatas, biológicas, etc. 

No fim eu não precisei nem de recuperação para a disciplina – enlouquecer com fichamentos deve ter funcionado -, e mantive meu histórico intacto, mas eu não me sinto nem um pouco disposta a correr esse risco novamente. E nem feliz com o resultado, pois sei que posso fazer melhor. 

De muitas formas este foi o pior semestre possível, com vários problemas de saúde, pessoais, dois estágios simultâneos, e tentativas de conciliar pós com graduação (e o pior, duas monografias com prazos de entrega e defesa praticamente idênticos)! Então eu poderia “me dar essa desculpa”. E por um tempo eu tentei me convencer disso. 

Mas esse meu masoquismo de achar que eu sempre posso fazer melhor me pega toda vez. Por mais que eu tente me convencer de que “está tudo bem”, ou que as pessoas queridas digam isso várias e várias vezes, eu simplesmente não consigo lidar com a derrota enquanto eu acreditar que eu posso melhorar. 

E eu provei que eu posso fazer melhor - não só passei de todas as matérias (embora não com as notas que gostaria) como fiquei com 10 na monografia da pós e tive um "A" unânime na monografia da graduação, ou seja, dado pelos três membros da banca. Assim como eu acredito que todo mundo sempre pode fazer mais, melhor, que sempre dá pra melhorar, se esforçar mais um pouquinho - o segredo é não desistir.

Um ótimo professor diz sempre “fazer dar certo até dar certo”. Faz sentido pra vocês? Embora a minha versão “wear it until you love it” seja mais masoquista e até autodestrutiva (sei que preciso melhorar isso), pra mim faz sentido perfeitamente. 

:)

Um comentário:

Hanna disse...

Ah Patty, como eu admiro seu amor pelo Direito. Quero ser assim um dia com algo (relacionado aos estudos).
Você é minha inspiração!
Não há nada mais bonito do que ver alguém que é realmente apaixonado pelo que estuda/faz. E faz com louvor!
Parabéns pela superação, pela garra...
O post está maravilhoso, ainda mais com essa linda mensagem no fim.
Sobre o "trauma": nunca me esquecerei do Darci (Constitucional)... rs
Um super beijo!