segunda-feira, 13 de junho de 2011

123º aniversário de Fernando Pessoa


Mas não e só o cadáver

Mas não e só o cadáver
Essa pessoa horrível que não é ninguém,
Essa novidade abísmica do corpo usual,
Esse desconhecido que aparece por ausência na pessoa que conhecemos,
Esse abismo cavado entre vermos e entendermos —
Não é só o cadáver que dói na alma com medo,
Que põe um silêncio no fundo do coração,
As coisas usuais externas de quem morreu
Também perturbam a alma, mas com mais ternura no medo.
Sejam de um inimigo,
Quem pode ver sem saudade a mesa a que ele sentava,
A caneta com que escrevia?
Quem pode ver sem uma angústia própria
A espingarda do caçador desaparecido sem ela para alívio de todos os montes?
O casaco do mendigo morto, onde ele metia as mãos (já ausentes para sempre) na algibeira,
Os brinquedos, horrivelmente arrumados já, da criança morta,
Tudo isso me pesa de repente no entendimento estrangeiro
E uma saudade do tamanho do espaço apavora-me a alma...

s.d.
Álvaro de Campos - Livro de Versos . Fernando Pessoa. (Edição crítica. Introdução, transcrição, organização e notas de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Estampa, 1993. - 56.


Quando eu estava no curso de Letras - nossa, nem acredito que me formei há quatro anos! -, vi muitos alunos ficarem completamente obcecados por Fernando Pessoa. Entendo completamente, pois também sou apaixonada, e sempre esteve na minha lista de favoritos.
Uma de minhas melhores amigas tem um amor incondicional por Pessoa. A paixão que sentimos por um autor é inexplicável. É engraçado como podemos nos encantar por suas palavras, frases, particularidades...

E sempre nos perguntamos: "Como alguém pode NÃO se apaixonar por ele?!".

:)

Suas obras podem ser encontradas no Arquivo Pessoa. :)

Um comentário:

Mônica disse...

Oi Patty, descobri teu blog através do Facebook, acredita? sei lá, fuçando ti achei, e eis aqui para conferir tudo de perto. Adorei!!!
Sabe que eu também sou apaixonada pelas palavras de Fernando Pessoa, principalmente quando ele diz algo assim para nos mostrar que não somos ninguém, não somos nada.
Beijos