sábado, 22 de janeiro de 2011

Desafio de Férias - Resenha #01




Dia 16/01 finalmente consegui finalizar a leitura de Entre Assassinatos, de Aravind Adiga.

Terminei o livro em uma tarde agradável (entre dias de extremo calor ou frio, chuva e céu escuro - o que faz com que qualquer um fique doente), sentada sob uma sombra ao lado de uma pequena cachoeira, perto de Minas Gerais, com uma brisa fresca e suave. Existe cenário melhor para nos dedicarmos a uma boa leitura?


A obra nos conta catorze histórias passadas na Índia, durante um período de sete anos, entre os assassinatos de dois líderes políticos - Indira Gandhi e seu filho, Rajiv.

Indira Priyadarshini Gandhi foi primeira-ministra do país. Após sua morte, Rajiv seguiu seus passos e também se tornou primeiro-ministro. Indira foi assassinada por extremistas sikhs em 1984, e Rajiv por extremistas tamils em 1991.

Todavia, todas estas histórias poderiam se passar nos dias de hoje, uma vez que possui temas atuais de uma sociedade com culturas tão diversas.

O que me fez comprar o livro, após ler as primeiras páginas, foi a escrita fenomenal de Adiga. Sou fascinada por descrições precisas e elaboradas, que criem toda uma ambientação e me transporte para os cenários, os locais de cada fato apresentado. Estas poucas páginas, lidas descompromissadamente, fizeram com que eu me transportasse para a Índia e esquecesse totalmente do que estava ao meu redor.

Outro motivo foi justamente a nacionalidade e o tema. Adoro ler e conhecer mais sobre outras culturas e, sinceramente, não possuía muito mais conhecimento sobre o país do que o senso-comum.

A cidade imaginária Kittur nos é tão real devido à esplêndida descrição de Adiga, que conseguimos sentir os cheiros, o calor insuportável, ouvir os mais diversos sons. É como se caminhássemos pelas ruas e becos. Conforme lemos cada história montamos um mapa perfeito, sabendo a localização de cada ponto importante da cidade, assim como os pequenos lugares escondidos, a miséria evidente e as casas afortunadas.

Conflitos entre castas, religiões, classes sociais, assim como a corrupção e a miséria estão presentes, nos mostrando preconceitos e dificuldades que também - talvez não da mesma forma, mas na mesma intensidade - observamos em nossa própria sociedade. Provavelmente em todas as outras.

Entretanto, o fato de ser uma nação superpopulosa - a segunda maior do mundo -, com mais de um bilhão de pessoas, faça com que tudo seja ampliado e mais evidente. Tudo é multiplicado, aumentado, e nos causa certo desconforto e inquietação.

A linguagem e algumas ações e atitudes de personagens são um pouco vulgares para meu gosto pessoal. Porém, são totalmente contextualidades, e necessárias para esta sensação de realidade que percebemos. Tudo é cru e muito real, provavelmente graças à percepção de um verdadeiro autor-jornalista. As histórias são intensas, irônicas e inquietantes.

Estou feliz por tê-lo descoberto - e devorado!

:)

Um comentário:

Nanda disse...

Deve ser um bom livro \hum
depois dessa resenha me deu vontade de ler XD